Não resisto á crítica. Contrariamente ao preconceito que diz que os artistas são os alienados do condado e que as suas necessidades não têem em conta o estado do país, discordo severamente deste juízo de valor despachado. Quem fala de artes marciais fala obrigatoriamente de líderes, de campeonatos, de vencedores no ringue e na vida, mas fala sobretudo de estratégia e de inteligência. Pelos vistos há quem se disfarce de camisa pólo Burberrys, mas detenha atitudes semelhantes ao Hatsumi. Os professores do mau gosto nunca gostam de ser mandados calar mas mandam sempre calar os outros. Nas artes marciais, nos desportos de combate, na política e no futebol há sempre uma espécie de lei não escrita que obriga a códigos de moralidade. Estes códigos de boa conduta obrigava a que por exemplo, no futebol, de cada vez que um jogador se lesionava, ganhasse o direito á bola na etapa seguinte. Costumavam chamar-lhe fair-play. Já não existe isto. Nem no futebol, nem nas artes marciais nem em lado nenhum. Acabaram os acordos de cavalheiros (e das damas!) Esquecemos hoje o que prometemos ontem.
O discurso tem como cerne de questão José Mourinho. Afinal quem é este? Um miserável qualquer que se fartou de ganhar taças e títulos e deu a conhecer o nome de Portugal nos lugares mais longínquos. Sim, alguém disse que o mundo está louco. Assim o acredito. Um falhado interrompido por um vencedor! Sim, de facto o mundo está louco! Um vencedor que nem parece nascido nesta pátria de gente determinada a ser séria, sisuda, mal-disposta e sobretudo com um ódio mortal a vencedores! Realmente é uma indignação existir gente assim, que vai para Inglaterra ganhar milhões com uma brincadeira, alguém que usa casacos Prada e tenha o bom senso de ter a família á frente de tudo. Enfim, uma vergonha para o nosso país! Até dá vontade de dizer: "Que raiva voce ser tão "in"!" E dá vontade de responder: "Ó Zé mete-te na politica e larga o futebol!"
Ás vezes tenho tanta vergonha de, enquanto país sermos tão sensíveis ás intempérides, tão susceptíveis ao fácil, ao pequeno, e sobretudo tão esquecidos!