"Ginásio Clube Português
Um legado de todos os portugueses
Um legado de todos os portugueses
"O Ginásio Clube Português encerra na sua história o peso de mais de 130 anos de existência. É impossível falarmos da história do desporto português sem pronunciarmos este nome que por direito próprio ostenta uma reputação ilustre, fruto de uma paixão sem limites pelo desporto. Pioneiros na edificação de uma cultura desportiva foram criadores de riqueza incalculável para Portugal e para o mundo. Detentores de um longo currículo de vitórias e vitoriosos, o Ginásio Clube Português revela hoje o mesmo carisma herdado do seu fundador, Luís Maria de Lima da Costa Monteiro.
Na época não eram conhecidos os benefícios da actividade física e os praticantes contavam-se pelos dedos de uma mão. As únicas actividades físicas que se conheciam eram os ranchos, a lavoura e o jogo do pau. Só uma pequena parte da burguesia e da nobreza compreendia a sua importância e eram olhados com estranheza por uma Lisboa conservadora.
Luís Monteiro, o professor que ia a pé de Lisboa a Mafra
No fim do século XIX, Lisboa vivia dividida entre o fado, o Passeio Público e as touradas, aspectos que tão bem nos retratam o pintor Malhoa. O Chiado fazia as vezes de um centro comercial, mas o local de eleição era o Gymnásio Clube Português. A 18 de Janeiro de 1875, Luís Monteiro é o fundador de um pequeno estúdio na Carreirinha do Socorro, onde permanece vários anos como único professor cujos honorários eram aquilo que restasse depois de liquidadas as dívidas. A jóia de admissão de sócio era de 1000 réis e a mensalidade de 500. O professor Luís Monteiro também dava aulas de ginástica no Instituto Industrial e no Real Colégio Militar em Mafra, para onde, segundo se diz, ia e voltava a pé."
Foi Camilo Bouhon, sócio do Real Gymnnásio Club Português, praticante de halterofilismo quem apresentou o boxe aos colegas do clube que costumava frequentar. Levava para as suas sessões de treino os livros do escritor Le Ville, acabando por provocar uma verdadeira febre do boxe. Começaram a surgir grupos que imitavam as figurinhas dos livros de Bouhon e despertou um grande interesse pela modalidade, começando a formar-se núcleos em vários locais. Um deles, uma espécie de clube-irmão, já que tinha sido fundado por membros do Real Gymnásio era o Real Club de Velocipedistas de Portugal que começava também a dar os primeiros passos no boxe. A certa altura surgiu a ideia de organizar o primeiro torneio oficial, que teve lugar no picadeiro do professor de equitação João Cagliardi. Quando se quis organizar o 1º Campeonato Nacional, organizou-se um segundo torneio com lugar na sede do Real Club, promovendo a ocasião. O jornal Sport foi o organizador deste primeiro evento de grande envergadura para a época. O título foi disputado a 4 de Janeiro de 1906, no Salão Nobre do Teatro da Trindade, donde saiu vencedor Ribeiro da Fonseca, pertencente ao Club Naval Madeirense, clube muito mais modesto que qualquer um dos seus adversários. Mas o Real Gymnásio Club não suportou ver a taça noutras mãos, tal foi o alvoroço que levantou que conseguiu que se realizasse outro combate, confrontando o campeão com César de Melo, do Real Gymnásio, que não participou no primeiro por se encontrar doente. Os acontecimentos inflamaram os jornais da época, especulando sobre o vencedor. E foi assim que o Ginásio Clube Português, com teimosia conseguiu vencer o 1º Campeonato de Boxe!
Anos `90: Os campeões do judo do GCP"E as Artes Marciais e os desportos de Combate?"
"Apesar das medalhas da Catarina Rodrigues e do Rui Rosa, no que respeita a este capítulo, fica um certo amargo de boca. A especificidade tão característica das artes marciais cria confusão nas cabeças daqueles que estão habituados a olhar para o desporto competitivo. “Aquilo que eu sinto é que, enquanto as outras modalidades estão normalizadas pelas federações internacionais e tem que ser assim e ponto final, nas artes marciais, não. Cada mestre é uma escola.” Para a maior parte dos dirigentes desportivos habituados a lidar com resultados concretos atribuídos por júris é extremamente difícil conseguir avaliar a competência dos instrutores de artes marciais. Mas não é só. Ramiro Fernandes, tal como outros na mesma posição, está do lado certo, pretende seriedade, profissionalismo, boa conduta. As suas palavras acendem uma luz laranja que avisa que no futuro, muita coisa terá que mudar, pois persiste na mente de uma grande franja da nossa sociedade o preconceito de relacionar desportos de combate e artes marciais com um nível razoável de violência gratuita e falta de conduta. “Há artes marciais que não nos interessam, há coisas que não nos interessam... porque somos selectivos. Há “coisas” que nunca mais entrarão neste clube, pelo menos enquanto eu cá estiver. O vale-tudo, por exemplo. Boxe, houve aqui numa determinada altura, mas tem a ver com um determinado mestre. Cabe a cada um de nós modificar este estado de coisas. E agora! Chovam as propostas!"
Pode ler a reportagem integral na Revista "Boxing, Desportos e Fitness" do mês de Outubro de 2007
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